Não era isso que eu queria dizer.

Não era isso que eu queria dizer

Como corresponder à expectativa de seu chefe em duas lições fáceis.

Homens são de Marte, mulheres são de Vênus e cada um fala seu próprio idioma. A diferença entre o que é entendido e o que cada um queria dizer, às vezes, é enorme. Entre cliente e agência a coisa é parecida.

No começo, todo mundo está tão empolgado com a parceria que, mesmo sem querer, alguns detalhes ficam de lado. A gente se identifica tanto um com o outro que começa a pensar que já se conhece muito bem. Como em todo relacionamento que fica mais sério, vamos descobrindo que não estamos nos entendendo tão bem quanto imaginávamos.

Um não diz o que quer, mas acha que está claro. O outro acha que sabe o que precisa fazer e o resultado é sempre retrabalho. Como somos todos movidos a prazos curtos e mais trabalho do que tempo, o desgaste é inevitável.

O mais curioso é que quanto mais informação e ferramentas de comunicação nós temos para trabalhar, menor é o cuidado em especificar o que queremos. Funcionamos como se a facilidade de achar dados e pessoas a qualquer hora e em qualquer lugar fosse remédio para todos os males.

Temos um chefe na Dínamo que diz sempre: o melhor teste é tratar as pessoas como se elas tivessem 6 anos de idade. Depois da certeza de que o básico está entendido, podemos começar a elaborar coisas com alguma complexidade. Esta é uma boa lição.

Existem procedimentos clássicos para resolver o entendimento. Um deles é fazer o bendito briefing. Ele evita um monte de chateações, mas o fato é que a maioria dos briefings incorrem em dois pecados capitais:

1) Falta de informações essenciais. Em caso de dúvidas, voltem ao início deste texto.

2) Falta de aprovação por quem decide. Aqui, o problema é mais complexo. Existe o entendimento de que os executivos dos clientes devem ter o seu tempo poupado, e a escolha, na maioria das vezes, é levar a ele a “solução” pronta. Em nossa parca experiência, a maioria das “soluções” fracassam por briefings mal feitos. Em nosso modesto entendimento, executivos e clientes internos deveriam inverter este processo e aprovar briefings. O resto seus especialistas de marketing e comunicação podem aprovar, economizando o tempo de todos.

Esta é segunda lição que aprendemos diariamente!

Como a memória sob pressão pode falhar, não custa registrar e repassar o dever de casa.