Posso mudar só uma coisinha?

Posso mudar só uma coisinha?

Sangue, suor e lágrimas para controlar revisões.

“Não. Não pode”. Ao assumir uma postura menos flexível, parece que a agência perdeu a noção do perigo e que está de má vontade, negando-se a fazer um favorzinho mínimo para o cliente. Mas não é bem assim.

Não é preciso uma experiência científica para afirmar que todos os clientes, independente de indústria, porte ou complexidade dos projetos de comunicação, usam e abusam de revisões. Todo mundo concorda que projetos precisam ser ajustados.

Muitas empresas usam a seqüência de revisões para negociar e alinhavar os diversos pontos de vista da organização. O problema é que o retrabalho com revisões seguidas desgasta o relacionamento com a agência, aumenta as chances de erros e, muitas vezes, descaracteriza conceitos de comunicação. Esse é o fator que mais corrói a margem de rentabilidade de projetos nas agências.

Apesar de impopular, revisões são um assunto recorrente e a única forma de lidar com elas de forma saudável é estabelecer limites em comum acordo. Para todo cliente que é penalizado por revisar demais, o limite pode parecer um expediente para que a agência consiga um troco a mais. No entanto, existem benefícios decorrentes de limites que são esquecidos sempre que um cliente recebe a notícia de que vai pagar um extra por mudanças. O primeiro é que, ao limitar a quantidade de trabalho de revisão, é possível estabelecer preços mais enxutos para projetos. Um argumento forte para quem compra. O segundo é estabelecer um sistema de conseqüência para quem não estabelece processos para discutir e controlar as alterações, evitando as idas e vindas intermináveis para só mais um ajustezinho.

Listamos, então, alguns dos processos que utilizamos para evitar tristezas. O primeiro é que as alterações devem ser passadas por escrito – pedidos por telefone, por exemplo, deixam o revisor sem um original para conferir se a equipe fez o que foi solicitado pelo cliente. Outro importante é ter um sistema para controle de versões. Arquivos digitais circulando por e-mail e pen drives podem facilmente ser substituídos por uma versão anterior.

Seguir processos é uma postura que pode parecer meio antipática, mas já livrou muita agência da bancarrota e profissionais de marketing e comunicação do olho da rua. Podendo escolher, é melhor ser chato do que passar por qualquer uma das duas experiências.